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Haroldo de Campos - Contracapa - 01/08/1997


Dizia Walter Benjamin, num texto pouco lembrado, de 1926, que tive a preocupação de incluir no Mallarmé, nº 2 desta coleção, que a escrita, no seu desenvolvimento, estaria destinada a avançar ‘cada vez mais fundo no domínio gráfico de sua nova e excêntrica figuralidade’, que estaria reservada para o futuro a emergência de uma ‘escrita icônica’ (Bildschrift), na qual os poetas, antes de mais nada ‘como nos primórdios, seriam expertos em grafia’. E acrescentava: ‘com a fundação de uma nova escrita de trânsito universal, os poetas renovarão sua autoridade na vida dos povos e assumirão um papel em comparação com o qual todas as aspirações de rejuvenescimento da retórica parecerão dessuetos devaneios góticos’.
Arnaldo Antunes, artista multimediático e intersemiótico, representa, na jovem poesia brasileira, a assunção, na prática - na dimensão do fazer -, desse vaticínio benjaminiano. Este seu novo livro, que ora se publica na coleção por mim dirigida - não por acaso acompanhado de um CD especialmente projetado para esse fim - põe à evidência o que acima afirmo. É um prazer - intelectual e pessoal - vê-lo agora na Signos, que, entre os poetas da nova geração, já abriga Frederico Barbosa, Régis Bonvicino e Antonio Risério e, num futuro próximo, lançará os poemas reunidos de Carlos Ávila.